Nesses tempos difíceis somos desafiados a compreender porque se repetem episódios de agressão nas escolas e contra elas. Rejeito diagnósticos simplistas e supero a proposta de mera repressão, pois a escola não é uma ilha apartada do contexto social. A retórica dos políticos nos diz que o futuro do Brasil está na Educação. Mas que Educação? Onde mora? Em escolas que vejo desfazerem-se, vandalizadas? Em escolas habitadas por professores desmotivados? E gestores desmoralizados? Em escolas de paredes úmidas, onde a mesmice pedagógica e o tédio imperam?
Diz Levi-Strauss“O sábio não é o que fornece verdadeiras respostas, é o que formula as verdadeiras perguntas.’’ Embora os professores com quem venho aprendendo me digam que é perigoso perguntar, eu os desafio a pensar e a agir. Ao lado dessa situação de violência, quero dizer quando lamento a desvalorização do estatuto social da profissão docente, e quando teremos discernimento para entender o porquê se projeta uma imagem social tão negativa? Quando pensamos na indignidade do salário do professor, na degradação da escola pública, estaremos a pensar em causas, ou em consequências?
Ouvi num seminário sobre Educação, que um colega dizia que pensar Educação é pensar em problemáticas éticas e ontológicas, cujos apontamentos sintetizo: que pensar em Educação é repensar nas representações de escola e educação também. Tais como: pensar a escola é reorientar o homem no mundo. É reconfigurar o espaço e o tempo de aprender e ensinar, reelaborando a cultura pessoal e profissional. Tenho 27anos de serviço e continuo a tentar a ser professora diante desse mundo que estamos construindo- um mundo de aprendizagem permanente e preciso me qualificar sempre. No entanto, há uma idéia disseminada de que gastar com a educação parece ser dinheiro jogado fora (se tivéssemos auditorias fiscais com os gatos do dinheiro público...). O que estou querendo dizer que a educação gera conhecimento e crescimento de uma população mais consciente de seus direitos e acesso a todos os bens sociais e culturais. Mas ainda há uma parcela da população e a mídia que colocam professores no caminho da resiliência. Quero lá saber dos restantes? Que não se libertaram dos trilhos que ao longo da sua caminhada enformaram e construíram as suas representações? Quero saber da maioria que luta por uma escola melhor, os outros não existem (falo dos sofistas da educação , os políticos de carteirinha). Por outro lado, creditar essa tarefa somente nas mãos do professor é eximir outros atores do processo educacional, principalmente a família e o Estado. Portanto nós, professores, não nos consideramos heróis e mártires, mas trabalhadores da educação com direitos postos à mercê da concordata dos interesses do patrão. Se hoje há uma data especial para o professor, nada disso adianta diante da invisibilidade social por parte de nossos governantes. Em decorrência disso, já podemos ver o prenúncio do aumento do déficit da mão de obra docente (cerca de 100mil em nosso país), que já é notório esse fato. Então, meus “caros políticos levem mais a sério a nossa profissão- professor e injetem mais recursos na educação.
Júnia Alba Gonçalves- Professora da Rede de Ensino Municipal
0 comentários:
Postar um comentário